As sondas de nutrição enteral são utilizadas em unidades de saúde para administrar nutrição, fluidos e medicação a doentes que não podem ser alimentados por via oral. Neste contexto, a limpeza de conectores na nutrição enteral neonatal assume um papel relevante na segurança do doente e na prevenção de riscos associados à contaminação.
Tabela de Conteúdos
Durante anos, estes doentes estiveram sujeitos a riscos de conexões erradas (misconnections), definidas como a administração incorreta de uma fórmula enteral ou de um fármaco, reforçando a necessidade de práticas seguras associadas à limpeza de conectores na nutrição enteral neonatal.
Em julho de 2016, a Organização Internacional de Normalização (ISO) publicou a norma técnica ISO 80369-3, definindo uma conexão de segurança padronizada para nutrição enteral. Esta nova conexão, denominada ENFit™, através de um design específico, previne o risco de conexão acidental entre diferentes vias de acesso (por exemplo, infusão intravenosa de leite).
Embora a conexão ENFit™ tenha resolvido o problema primário da segurança do doente, surgiu outro problema:
Como limpar a extremidade distal da sonda de alimentação que contém a ranhura larga


Figura 1. Soluções nutricionais residuais na conexão ENFit™.
Nestas condições, a formação de biofilme, potencialmente responsável pelo aparecimento de infeções, é favorecida.
Apesar de isto não representar um risco major no tratamento de doentes pediátricos e adultos, qual é o impacto numa população mais vulnerável como a dos recém-nascidos prematuros?
Nutrição enteral em recém-nascidos prematuros
Os recém‑nascidos em unidades de cuidados intensivos neonatais necessitam frequentemente de nutrição através de uma sonda de alimentação, o que reforça a importância de práticas seguras associadas à limpeza de conectores na nutrição enteral neonatal.
Estas sondas estão em contacto quase constante com a fórmula nutricional ou com o leite materno, ambos ricos em açúcares que promovem o desenvolvimento e crescimento bacteriano, sobretudo quando a limpeza de conectores na nutrição enteral neonatal não é realizada de forma adequada.
Estima-se que o biofilme se possa formar nas superfícies das sondas de alimentação nas primeiras 24 horas e, de acordo com a literatura, o tempo de permanência da sonda não se correlaciona com a densidade bacteriana nela encontrada.
Outro aspeto que pode favorecer a formação de biofilme é o manuseamento contínuo das sondas pelos profissionais de saúde, que ocorre, em média, a cada 2–3 horas, tornando a correta limpeza de conectores na nutrição enteral neonatal um fator relevante na redução do risco de contaminação.
A contaminação bacteriana das sondas de alimentação enteral tem sido um tema discutido há anos na literatura e foi sendo lentamente esquecido.
Isto justifica-se pelo facto de, em doentes pediátricos e adultos, as consequências de tal contaminação serem clinicamente irrelevantes.
No entanto, a população de recém-nascidos pré-termo é mais vulnerável ao problema, pois, devido ao seu sistema imunitário ainda imaturo e à ausência de microbiota intestinal, podem ocorrer complicações significativas.
Protocolos de Limpeza de Conectores na Nutrição enteral neonatal
Atualmente, não existem protocolos padronizados especificamente definidos para a limpeza de conectores na nutrição enteral neonatal, o que representa um desafio na uniformização das práticas clínicas.
A única recomendação na literatura sugere, pelo menos, uma limpeza por dia.
Embora não exista uma abordagem universalmente reconhecida para a limpeza de conexões enterais, as regras de boas práticas exigem a remoção de resíduos visíveis até que o dispositivo seja considerado seguro para utilização, reforçando a importância de procedimentos adequados de limpeza de conectores na nutrição enteral neonatal.
Deve-se também considerar a impossibilidade de utilizar detergentes e produtos químicos, que poderiam ser acidentalmente administrados ao doente.
Isto torna a manobra de limpeza dos conectores de nutrição enteral ainda mais complicada.
Melhorar os protocolos de limpeza: uma solução real?
Face ao exposto, torna-se evidente que, em contexto neonatal, a limpeza de conectores na nutrição enteral neonatal não é um problema negligenciável.
Poderá a implementação de protocolos de limpeza mais meticulosos ser, portanto, uma solução?
Num estudo publicado em 2020, este tema é abordado.
Em particular, foram analisados dois protocolos de limpeza: um “mais diligente”, composto por 17 etapas, e um “menos diligente”, composto por 8 etapas.


Foram utilizadas duas soluções para avaliar a eficácia dos protocolos de limpeza, uma visível a olho nu e outra visível apenas com luz UV.
Os resultados reportaram que, mesmo no protocolo “mais diligente”, embora este garantisse uma maior limpeza do que o “menos diligente”, foram encontrados resíduos em cerca de 70 por cento das conexões.
Os resultados demonstraram que, mesmo no protocolo considerado “mais diligente”, embora este garantisse um grau de limpeza superior ao protocolo “menos diligente”, foram encontrados resíduos em cerca de 70% das conexões, evidenciando a complexidade da limpeza de conectores na nutrição enteral neonatal.
Embora os resultados do estudo não tenham identificado qualquer protocolo capaz de eliminar os resíduos nos conectores, um protocolo mais elaborado poderia aumentar os níveis de limpeza, reduzindo a ocorrência de infeções e complicações na população neonatal.
Por outro lado, deve considerar-se que o aumento da complexidade dos procedimentos tem um forte impacto na carga de trabalho dos enfermeiros, especialmente em enfermarias neonatais onde os manuseamentos das sondas enterais ocorrem frequentemente.
Mais uma vez, portanto, a conexão ENFit™ parece não ser a melhor opção para a população neonatal, e menos ainda para recém-nascidos pré-termo.
Para esta população de doentes, existem conexões de segurança com um design que oferece mais vantagens do que o design ENFit™, tais como o tamanho reduzido do conetor, a ausência de roscas e o lúmen macho externo mais proeminente.
Estas caraterísticas garantem o tratamento de recém-nascidos em condições mais seguras, por um lado, em termos de precisão da dose administrada e, por outro lado, em termos de redução dos riscos de contaminação bacteriana.
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