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Os sistemas minimamente invasivos conseguem medir com precisão e acompanhar as variações do débito cardíaco?
Os sistemas minimamente invasivos baseados na análise da onda de pulso são amplamente utilizados para monitorização hemodinâmica contínua. No entanto, a evidência mais recente mostra que apresentam limitações relevantes tanto na precisão dos valores como na capacidade de acompanhar corretamente as variações do débito cardíaco ao longo do tempo (trending ability).
Pontos-chave da evidência
▪️ Amplamente utilizados em contexto perioperatório e de cuidados intensivos
▪️ Erro percentual médio próximo de 48–50%, acima do limiar de aceitabilidade clínica (30%)
▪️ Concordância global na capacidade de seguimento de tendências:
- cerca de 72,6% (four‑quadrant plot)
- cerca de 63,2% (polar plot)
▪️ Valores abaixo dos referenciais geralmente aceites (>90% e >75%)
▪️ Elevada variabilidade entre dispositivos, contextos clínicos e estudos
▪️ Alguns dispositivos apresentam melhor desempenho, mas com base em poucos estudos
Vantagens e limitações
Principais vantagens:
▪️ Monitorização contínua
▪️ Menor invasividade
▪️ Suporte à tomada de decisão em tempo real
▪️ Facilidade de implementação
Principais limitações:
▪️ Precisão limitada face a métodos de referência
▪️ Capacidade inconsistente de acompanhar variações (trending)
▪️ Forte influência do contexto clínico
▪️ Elevada heterogeneidade entre dispositivos
Ponto‑chave
Apesar da sua utilização generalizada, estes sistemas não demonstram, de forma consistente, precisão nem capacidade de seguimento de tendências suficientes para substituir métodos de referência.
Porque é importante a “trending ability”?
Na prática clínica, a tomada de decisão raramente depende de um valor isolado. O mais relevante é compreender se o débito cardíaco está a aumentar ou diminuir e em que magnitude.
É aqui que entra o conceito de “trending ability”:
a capacidade de um dispositivo detetar corretamente a direção e a amplitude das alterações hemodinâmicas.
Este estudo reforça que, em ambientes dinâmicos como o bloco operatório ou os cuidados intensivos, esta capacidade pode ser tão ou mais relevante do que a precisão absoluta.
O que nos diz esta meta‑análise?
Esta revisão sistemática incluiu 50 estudos, avaliando simultaneamente a precisão e a capacidade de seguimento de tendências.
Os resultados mostram que:
▪️ O erro percentual médio foi de aproximadamente 48,3%, acima do limiar de aceitabilidade
▪️ A concordância global foi de cerca de 72,6%, abaixo do valor desejado de 90%
▪️ A concordância angular (polar plot) foi de cerca de 63,2%, também inferior ao limiar de referência
▪️ A variabilidade entre estudos foi extremamente elevada (I² superior a 95%)
Estes resultados indicam que a limitação não é apenas a precisão, mas também a consistência e fiabilidade na prática.
Como aplicar na prática clínica?
Quando utilizar estes sistemas
▪️ Monitorização contínua em cuidados intensivos
▪️ Contexto perioperatório, especialmente em doentes de maior risco
▪️ Avaliação da resposta a intervenções terapêuticas
Como interpretar os dados
▪️ Evitar decisões baseadas exclusivamente num valor isolado
▪️ Confirmar alterações com outros parâmetros clínicos
▪️ Integrar sempre a informação no contexto do doente
▪️ Ter cautela na interpretação das tendências
Mesmo quando o foco está na evolução, a evidência mostra que esta pode não ser totalmente fiável.
Fatores que influenciam o desempenho
Contexto clínico
▪️ Melhor desempenho em unidades de cuidados intensivos
▪️ Pior desempenho em cirurgia não cardíaca
▪️ Forte dependência das características fisiológicas do doente
Fatores metodológicos
▪️ Diferenças significativas entre algoritmos
▪️ Falta de transparência nos modelos utilizados
▪️ Qualidade variável do sinal arterial
▪️ Métodos de validação não uniformes
Conflitos de interesse
▪️ Estudos com ligação à indústria tendem a apresentar resultados mais favoráveis
Um fator importante a considerar na leitura crítica da evidência.
Leitura clínica e posicionamento prático
Os dados desta análise reforçam alguns princípios fundamentais:
▪️ Estes dispositivos não devem ser considerados intercambiáveis com métodos de referência
▪️ A sua utilização deve ser sempre contextualizada
▪️ A decisão clínica não deve depender exclusivamente destes sistemas
Ainda assim, observa‑se variabilidade entre dispositivos, com alguns a demonstrar resultados mais promissores na capacidade de seguimento de tendências, embora com evidência ainda limitada.
Neste enquadramento, soluções como o MostCareUp podem ter utilidade na monitorização contínua e na avaliação dinâmica do doente, desde que os dados sejam interpretados de forma crítica e integrados na avaliação clínica global.
Referência Bibliográfica
Barrachina, B., Vinuesa, C., Iriarte, I., & Albinarrate, A. (2026). Trending ability and accuracy of minimally invasive pulse wave analysis devices: A systematic review and meta-analysis. Anesthesia & Analgesia. https://doi.org/10.1213/ANE.0000000000008008



