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O que é a monitorização do débito cardíaco por análise da onda de pulso e quando deve ser utilizada?
A monitorização do débito cardíaco por análise da onda de pulso é uma técnica minimamente invasiva que estima o débito cardíaco a partir do traçado da pressão arterial. É utilizada sobretudo em doentes cirúrgicos de alto risco e em cuidados intensivos, permitindo uma avaliação contínua do estado hemodinâmico e apoio à decisão clínica.
Pontos-chave da evidência
▪️ Permite monitorização contínua com menor invasividade
▪️ Amplamente utilizada em contexto perioperatório e em cuidados intensivos
▪️ Apresenta variabilidade relevante quando comparada com métodos de referência (termodiluição)
▪️ Erro médio reportado:
- cerca de 44% para débito cardíaco
- cerca de 49% para índice cardíaco
▪️ Estes valores ultrapassam o limiar de 30% considerado aceitável para equivalência clínica
▪️ O desempenho depende do tipo de doente e do dispositivo utilizado
Vantagens e limitações
Principais vantagens:
▪️ Menor invasividade
▪️ Monitorização contínua
▪️ Implementação relativamente simples
▪️ Suporte à tomada de decisão clínica
Principais limitações:
▪️ Variabilidade na precisão das medições
▪️ Não totalmente intercambiável com métodos de referência
▪️ Influência significativa do contexto clínico
▪️ Evidência ainda limitada em alguns cenários
Ponto-chave
👉 A análise da onda de pulso é uma ferramenta útil para monitorização contínua e apoio clínico, mas os seus valores devem ser sempre interpretados no contexto global do doente.
O que nos diz a evidência científica mais recente?
Uma revisão sistemática e meta-análise recente analisou 92 estudos, envolvendo mais de 3.000 doentes, comparando sistemas de análise da onda de pulso com métodos de referência baseados em termodiluição.
Os principais resultados mostram que:
▪️ O erro percentual médio foi de 44,0% para débito cardíaco e 49,1% para índice cardíaco
▪️ Estes valores ultrapassam o limiar geralmente aceite de 30% para equivalência clínica
▪️ A diferença média entre métodos foi reduzida, sugerindo ausência de erro sistemático relevante
▪️ Existe, no entanto, elevada variabilidade nas medições, o que limita a sua precisão absoluta
▪️ O desempenho varia consoante o tipo de doente e o dispositivo utilizado
👉 Ou seja, o principal desafio não é o “valor médio”, mas sim a consistência das medições.
Como aplicar na prática clínica?
📌 Quando utilizar estes sistemas
▪️ Monitorização hemodinâmica em doentes críticos
▪️ Contexto perioperatório, especialmente em doentes de maior risco
▪️ Apoio à titulação de terapêuticas (fluidoterapia, vasopressores, inotrópicos)
Como interpretar corretamente os dados
▪️ Evitar decisões baseadas num único valor isolado
▪️ Integrar sempre com outros parâmetros hemodinâmicos
▪️ Valorizar a evolução ao longo do tempo (tendência)
▪️ Considerar o contexto clínico (ex.: instabilidade, vasodilatação, hipovolémia)
👉 Em muitos casos, o maior valor está na leitura dinâmica do doente, mais do que na medição absoluta.
Limitações e pontos críticos
Situações que exigem maior cautela
▪️ Alterações rápidas da resistência vascular
▪️ Estados de choque complexos
▪️ Instabilidade hemodinâmica significativa
Limitações da evidência disponível
▪️ A maioria dos estudos foi realizada em cirurgia cardíaca e unidades de cuidados intensivos
▪️ Existe escassez de dados em cirurgia não cardíaca, que é uma das principais áreas de utilização
▪️ A capacidade de avaliação de tendências (trending) não foi analisada de forma robusta nesta meta-análise
Leitura clínica e posicionamento prático
É importante enquadrar corretamente o papel destes sistemas:
▪️ Não substituem métodos de referência
▪️ Funcionam como ferramentas de apoio à decisão
▪️ Devem ser integrados numa abordagem multimodal
👉 Neste contexto, tecnologias como o MostCareUp podem desempenhar um papel relevante na monitorização contínua e na avaliação da dinâmica hemodinâmica, desde que os dados sejam interpretados de forma adequada e contextualizada.
Referência Bibliográfica
Flick, M., Müller, D. X., Bergholz, A., Sierzputowski, P., Eichlseder, M., Saad, R., Greiwe, G., Kouz, K., Hapfelmeier, A., & Saugel, B. (2026). Agreement of minimally invasive pulse wave analysis with pulmonary artery and transpulmonary thermodilution cardiac output measurements in perioperative and intensive care medicine: A systematic review and meta-analysis. British Journal of Anaesthesia. https://doi.org/10.1016/j.bja.2026.04.045


