O crescimento da utilização do cateter midline tem sido exponencial, uma vez que é um recurso que permite uma melhoria notável na gestão dos acessos vasculares para tratamentos de média duração compatíveis com a perfusão periférica.
Os cateteres midline devem ser colocados por pessoal formado e especializado. Embora o manuseamento e a manutenção não exijam a intervenção de um especialista em acessos vasculares, devem ser cumpridos vários requisitos para garantir o seu funcionamento adequado.
Tabela de Conteúdos
Definição do cateter Midline
De acordo com o manual do GAVeCeLT sobre PICCs e cateteres midline, existem dois tipos de midlines:
- Mini-midline: cateter de 8 a 10 cm que pode ser inserido no antebraço ou braço, com uma ponta que não ultrapassa a cavidade axilar.
- Midline médio-clavicular (ou eco-midline): cateter de 20 a 25 cm, inserido sempre em veias profundas do braço, com a ponta posicionada no segmento torácico da veia axilar ou até à veia subclávia.

Indicações
Deve ser colocado um cateter midline nos seguintes casos:
- Rede venosa periférica difícil; doentes DIVA (Difficult Intravenous Access).
- Acesso temporário enquanto se aguarda um acesso definitivo.
- Administração de eletrólitos ou suporte nutricional com osmolaridade < 800-850 mOsm/L (1).
- Terapêutica endovenosa que envolva complicações.
- Fármacos com osmolaridade < 800-850 mOsm/L (1) e/ou pH entre 5 e 9.
- Tratamento > 7 dias.
- Antibioterapia em infeções graves: endocardite, osteomielite.
- Colheita de amostras de sangue (2).
- Transfusão de hemoderivados.
Material necessário e exame ecográfico

Material necessário e exame ecográfico
O local de inserção é o membro superior, especificamente no terço médio do braço (veias basílica, braquiais e cefálica).
O mapeamento ecográfico prévio é utilizado para visualizar as veias nesta área (inclusive ao nível do ombro) no eixo transversal ou longitudinal, dependendo da posição da sonda. Para este fim, recomenda-se a utilização do método RaPeVA (do grupo GAVeCeLT) para realizar uma avaliação ultrassonográfica rápida das veias periféricas.

O que evitar:
- Zonas de flexão.
- Veias com presença de flebite.
- Veias trombosadas ou varicosas.
- Membros com esvaziamento ganglionar (dissecção de gânglios linfáticos).
- Durante o reconhecimento de estruturas, excluir a “zona do Mickey Mouse”: o trajeto da artéria braquial (cabeça do Mickey) passa muito próximo das veias braquiais (orelhas do Mickey). A canulação não é recomendada neste segmento, dada a proximidade da artéria e do nervo mediano.
Técnica de instalação do Cateter Midline
Esta técnica guiada por ecografia permite canular veias profundas do braço, como a basílica, braquiais e cefálica, dependendo do trajeto e do calibre.
Inserção
Existem duas técnicas de inserção: a técnica de Seldinger e a técnica de Micro-Seldinger (MST).


Procedimento
Antes da preparação:
- Identificação ativa do doente.
- Informar o doente sobre o procedimento a realizar.
Preparação:
- Higienização das mãos.
- Colocar o doente em decúbito dorsal com o braço em ângulo reto em relação ao tórax.
- Mapeamento ecográfico (RaPeVA) e seleção da veia.
- Higienização das mãos.
- Assépsia da pele: lavagem com sabão de cloro-hexidina e luvas não estéreis; troca de luvas e desinfeção com cloro-hexidina alcoólica (higienização das mãos entre as duas sequências).
- Colocação de barrete e máscara cirúrgica; higienização das mãos.
- Preparação do campo estéril.
- Higienização das mãos.
- Colocação de luvas e bata estéril.
- Aplicação do garrote (torniquete).
Colocação:
- Punção da veia selecionada seguindo a técnica ecoguiada e subsequente inserção do cateter.
- Limpeza do local de venopunção.
- Conexão do bioconector (conector sem agulha), lavagem (flushing) com 10 ml de soro fisiológico utilizando a técnica push-pause (pulsátil) e pressão positiva.
- Selagem (locking) com soro fisiológico ou citrato, dependendo do protocolo do serviço, com um volume equivalente a 120% do espaço morto (volume interno) do cateter.
- Fixação do cateter com um sistema adesivo de fixação ou ancoragem subcutânea.
- Selagem do ponto de inserção com adesivo tecidular (cianoacrilato).
- Aplicação de penso estéril transparente.
- Registo do procedimento.
Manutenção do cateter Midline
A substituição dos pensos de manutenção é realizada a cada 7-10 dias, ou sempre que estiverem sujos, descolados ou com sangue.
Passos a seguir:
- Substituir o penso e o conector sem agulha.
- Verificar a posição, o refluxo, o estado do cateter e o ponto de inserção.
- Lavagem com 10 ml de soro fisiológico (técnica push-pause com pressão positiva).
- Selagem com soro fisiológico ou citrato de acordo com o protocolo da instituição.
- Registar o procedimento no processo clínico informatizado.
As complicações mais comuns do midline são a flebite, infeção, oclusão, trombose, extravasamento e lesões cutâneas.
Remoção do cateter Midline
A remoção do cateter midline é um procedimento simples e deve ser realizada nos seguintes casos:
- Cateter desnecessário ou inadequado.
- Infeção.
- Obstrução irreversível.
- Dano mecânico.
- Trombose venosa com mau funcionamento do dispositivo.
- Mau funcionamento devido a bainha de fibrina ou outros motivos.
O procedimento consiste em seguir medidas rigorosas de assépsia, realizar a cultura da ponta do cateter (em caso de suspeita de infeção) e registar os dados no processo do doente.
Bibliografia
- Pittiruti and Scoppettuolo, GAVeCeLT Manual on PICC and midline, Edra edition – 2016
- GAVeCELT Group, DAV Expert website, 2016 – accessed March 2021
- Infusion Nursing Society, Infusion Therapy Standards of Practice – 2021
- CDC Recommendations – 2011
- Ministry of health, social services and equality, Clinical Practice Guideline on Intravenous Therapy with Non-Permanent Devices in Adults – 2014


