Técnica de Seldinger: quando utilizar o método clássico ou o método modificado

Campus Vygon

6 Mai, 2026

A evolução da técnica de Seldinger desde o seu desenvolvimento na década de 1950 permitiu que este método passasse a ser utilizado com outros tipos de dispositivos de acesso vascular e em áreas fora da radiologia de intervenção. De facto, inicialmente conhecida pela inserção de cateteres arteriais e centrais, a técnica alargou‑se posteriormente aos ports, aos PICCs e, mais recentemente, aos midlines.

A técnica de Seldinger representa um avanço significativo em todos os tipos de implantações de Dispositivos de Acesso Vascular (Vascular Access Devices – VAD), uma vez que reduziu consideravelmente a invasividade da inserção e, simultaneamente, a facilitou.

Diferenças entre as técnicas de Seldinger e Micro‑Seldinger na colocação de PICC

É possível identificar dois tipos de técnicas de Seldinger:

  • A Seldinger clássica ou pura, que é habitualmente utilizada na radiologia de intervenção. Utilizam‑se guias muito longos, com cerca de 130–150 cm, que são avançados até à VCS (Veia Cava Superior) para permitir a progressão do cateter PICC até à localização ideal (junção cavo‑auricular).
  • Em algumas regiões do mundo, enfermeiros especializados em acesso vascular (UCI ou radiologia de intervenção) utilizam maioritariamente a técnica de Seldinger modificada ou Micro‑Seldinger (MST): a guia é muito mais curta (cerca de 50 cm) e a principal diferença é que a guia serve apenas para canalizar a veia – não é utilizada para orientar o cateter até à sua posição final.

A utilização de uma guia longa no caso da técnica de Seldinger, ou de um microintrodutor no caso da MST, tem como objetivo conduzir o cateter até à sua posição correta (VCS). Permite igualmente o controlo da localização da ponta através de um sistema de ECG. Este controlo pode ser realizado utilizando a guia como condutor de sinal com um clipe tipo “jacaré”, ou utilizando soro fisiológico como condutor de sinal, através de um cabo com ligação Luer.

Diferenças entre as técnicas de Seldinger e Micro‑Seldinger na colocação de midlines

Ambas as técnicas podem ser utilizadas para cateteres midline. De facto, desde a sua criação nos anos 2000, o cateter midline tem sido sempre inserido através da técnica MST. No entanto, há alguns anos surgiram cateteres midline colocados com a técnica de Seldinger, trazendo novamente o método original para a linha da frente.

A principal diferença entre a inserção de um midline e de um PICC utilizando a técnica de Seldinger é que, sendo o midline significativamente mais curto (máximo de 25 cm), não necessita de uma guia avançada até à sua posição final (segmento axilo‑subclávio). Na realidade, basta introduzir alguns centímetros para a canulação da veia.

Inserção de cateter venoso utilizando a técnica de Seldinger em acesso vascular periférico.

A dilatação também difere entre as duas técnicas. Por exemplo, a Micro‑Seldinger inclui um microintrodutor destacável (peelable) e um dilatador interno que é ligeiramente mais espesso do que o dilatador da técnica de Seldinger, criando uma passagem/túnel mais amplo. A ponta do dilatador é muito fina, permitindo uma introdução progressiva. No entanto, continua a ser necessário realizar um corte com bisturi para permitir a dilatação, embora se observe atualmente que alguns líderes na área do acesso venoso tentam minimizar o trauma associado ao procedimento

Quando o dilatador interno é removido, tende a ocorrer um sangramento significativo, uma vez que existe um túnel aberto até à veia. Este sangramento é controlado pressionando com um dedo o orifício do introdutor até que o cateter seja inserido.

O microintrodutor MST pode ser particularmente útil em braços com tecidos subcutâneos moles, nos quais a progressão de um cateter sobre a guia pode ser mais difícil devido à resistência.

Micro‑introduzor e guia metálica utilizados na técnica Micro Seldinger para acesso vascular.

No caso da técnica de Seldinger, o dilatador é mais fino. O seu objetivo é criar um túnel com um diâmetro apenas ligeiramente superior ao do cateter. Isto significa que a dilatação é menos invasiva, existe pouco sangramento e não deve ser utilizado bisturi. Esta técnica é especialmente adequada em crianças e em doentes anticoagulados.

É importante recordar que, em ambas as técnicas, o fio‑guia é atualmente fabricado em nitinol, o que lhe confere resistência à formação de dobras (kink‑resistant). A agulha permite também uma micropunção, uma vez que é de 21G.

Infografia comparativa entre a técnica de Seldinger e a técnica Micro Seldinger na colocação de cateteres.

Embora, como referido anteriormente, ambas as técnicas apresentem vantagens e desvantagens, existem vários aspetos que podem ser considerados relativamente ao acesso venoso através de um método ou de outro. Contudo, não se deve perder de vista que a formação desempenha um papel fundamental: uma vez dominadas ambas as técnicas, em associação com a utilização de ecografia, podem ser utilizadas de forma indistinta na maioria das situações.

Bibliografia

  1. Journal of Infusion Nursing: “Infusion Therapy Standards of Practice” – 2016
  2. GAVeCELT Manual on PICC and Midline – 2016

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