Cateter Midline: protocolo de colocação e manutenção

Campus Vygon

29 Abr, 2026

O crescimento da utilização do cateter midline tem sido exponencial, uma vez que é um recurso que permite uma melhoria notável na gestão dos acessos vasculares para tratamentos de média duração compatíveis com a perfusão periférica.

Os cateteres midline devem ser colocados por pessoal formado e especializado. Embora o manuseamento e a manutenção não exijam a intervenção de um especialista em acessos vasculares, devem ser cumpridos vários requisitos para garantir o seu funcionamento adequado.

Definição do cateter Midline

De acordo com o manual do GAVeCeLT sobre PICCs e cateteres midline, existem dois tipos de midlines:

  • Mini-midline: cateter de 8 a 10 cm que pode ser inserido no antebraço ou braço, com uma ponta que não ultrapassa a cavidade axilar.
  • Midline médio-clavicular (ou eco-midline): cateter de 20 a 25 cm, inserido sempre em veias profundas do braço, com a ponta posicionada no segmento torácico da veia axilar ou até à veia subclávia.
Anatomia e localização da extremidade dos cateteres midline e mini-midline.

Indicações

Deve ser colocado um cateter midline nos seguintes casos:

  • Rede venosa periférica difícil; doentes DIVA (Difficult Intravenous Access).
  • Acesso temporário enquanto se aguarda um acesso definitivo.
  • Administração de eletrólitos ou suporte nutricional com osmolaridade < 800-850 mOsm/L (1).
  • Terapêutica endovenosa que envolva complicações.
  • Fármacos com osmolaridade < 800-850 mOsm/L (1) e/ou pH entre 5 e 9.
  • Tratamento > 7 dias.
  • Antibioterapia em infeções graves: endocardite, osteomielite.
  • Colheita de amostras de sangue (2).
  • Transfusão de hemoderivados.

Material necessário e exame ecográfico

Lista de materiais necessários para a colocação, fixação e proteção de um cateter midline.

Material necessário e exame ecográfico

O local de inserção é o membro superior, especificamente no terço médio do braço (veias basílica, braquiais e cefálica).

O mapeamento ecográfico prévio é utilizado para visualizar as veias nesta área (inclusive ao nível do ombro) no eixo transversal ou longitudinal, dependendo da posição da sonda. Para este fim, recomenda-se a utilização do método RaPeVA (do grupo GAVeCeLT) para realizar uma avaliação ultrassonográfica rápida das veias periféricas.

Comparação entre eixo longitudinal e transversal na ecografia para inserção de cateter.

O que evitar:

  • Zonas de flexão.
  • Veias com presença de flebite.
  • Veias trombosadas ou varicosas.
  • Membros com esvaziamento ganglionar (dissecção de gânglios linfáticos).
  • Durante o reconhecimento de estruturas, excluir a “zona do Mickey Mouse”: o trajeto da artéria braquial (cabeça do Mickey) passa muito próximo das veias braquiais (orelhas do Mickey). A canulação não é recomendada neste segmento, dada a proximidade da artéria e do nervo mediano.

Técnica de instalação do Cateter Midline

Esta técnica guiada por ecografia permite canular veias profundas do braço, como a basílica, braquiais e cefálica, dependendo do trajeto e do calibre.

Inserção

Existem duas técnicas de inserção: a técnica de Seldinger e a técnica de Micro-Seldinger (MST).

Passo a passo da técnica de inserção de cateter pelo método de Seldinger.
Etapas da técnica de inserção Micro-Seldinger para cateter midline.

Procedimento

Antes da preparação:

  • Identificação ativa do doente.
  • Informar o doente sobre o procedimento a realizar.

Preparação:

  1. Higienização das mãos.
  2. Colocar o doente em decúbito dorsal com o braço em ângulo reto em relação ao tórax.
  3. Mapeamento ecográfico (RaPeVA) e seleção da veia.
  4. Higienização das mãos.
  5. Assépsia da pele: lavagem com sabão de cloro-hexidina e luvas não estéreis; troca de luvas e desinfeção com cloro-hexidina alcoólica (higienização das mãos entre as duas sequências).
  6. Colocação de barrete e máscara cirúrgica; higienização das mãos.
  7. Preparação do campo estéril.
  8. Higienização das mãos.
  9. Colocação de luvas e bata estéril.
  10. Aplicação do garrote (torniquete).

Colocação:

  1. Punção da veia selecionada seguindo a técnica ecoguiada e subsequente inserção do cateter.
  2. Limpeza do local de venopunção.
  3. Conexão do bioconector (conector sem agulha), lavagem (flushing) com 10 ml de soro fisiológico utilizando a técnica push-pause (pulsátil) e pressão positiva.
  4. Selagem (locking) com soro fisiológico ou citrato, dependendo do protocolo do serviço, com um volume equivalente a 120% do espaço morto (volume interno) do cateter.
  5. Fixação do cateter com um sistema adesivo de fixação ou ancoragem subcutânea.
  6. Selagem do ponto de inserção com adesivo tecidular (cianoacrilato).
  7. Aplicação de penso estéril transparente.
  8. Registo do procedimento.

Manutenção do cateter Midline

A substituição dos pensos de manutenção é realizada a cada 7-10 dias, ou sempre que estiverem sujos, descolados ou com sangue.

Passos a seguir:

  1. Substituir o penso e o conector sem agulha.
  2. Verificar a posição, o refluxo, o estado do cateter e o ponto de inserção.
  3. Lavagem com 10 ml de soro fisiológico (técnica push-pause com pressão positiva).
  4. Selagem com soro fisiológico ou citrato de acordo com o protocolo da instituição.
  5. Registar o procedimento no processo clínico informatizado.

As complicações mais comuns do midline são a flebite, infeção, oclusão, trombose, extravasamento e lesões cutâneas.

Remoção do cateter Midline

A remoção do cateter midline é um procedimento simples e deve ser realizada nos seguintes casos:

  • Cateter desnecessário ou inadequado.
  • Infeção.
  • Obstrução irreversível.
  • Dano mecânico.
  • Trombose venosa com mau funcionamento do dispositivo.
  • Mau funcionamento devido a bainha de fibrina ou outros motivos.

O procedimento consiste em seguir medidas rigorosas de assépsia, realizar a cultura da ponta do cateter (em caso de suspeita de infeção) e registar os dados no processo do doente.

Bibliografia

  1. Pittiruti and Scoppettuolo, GAVeCeLT Manual on PICC and midline, Edra edition – 2016
  2. GAVeCELT Group, DAV Expert website, 2016 – accessed March 2021
  3. Infusion Nursing Society, Infusion Therapy Standards of Practice – 2021
  4. CDC Recommendations – 2011
  5. Ministry of health, social services and equality, Clinical Practice Guideline on Intravenous Therapy with Non-Permanent Devices in Adults – 2014

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